Oi gente!

Hoje o texto é com a amiga companheira de jornada Luana. Ela é mãe da princesa Maria Flor e tem uma experiência muito legal pra passar pra gente. Obrigada Lu!

Boa Leitura!

“Dá para amamentar com prótese?”

Essa foi a primeira pergunta que me fiz quando tomei a decisão de colocar as próteses. Eu tinha apenas 23 anos e nenhum plano de ter filhos, mas já sonhava em um dia ter minha família.

Aos 29 anos descobri que estava grávida, apesar de ter planejado, eu tomei um susto, não senti os meus pés por alguns segundos e um frio me correu pelo corpo. Pensei: “Deus me ouviu”! Chorei. Agradeci!

Minha gestação foi delicada, pois eu tenho o útero curto e tive que fazer uma cerclagem, (cirurgia que tem função de suturar o colo do útero para que ele segure o feto até que esteja pronto para nascer), para garantir que tudo ia ficar bem com meu bebê. Às 14 semanas a cirurgia foi realizada com sucesso, para meu alívio e felicidade. O resto da gestação foi tranquila, com tudo certinho e dentro do esperado, com os cuidados devidos e acompanhamento do meu querido médico.

Eu pesquisei muito sobre a ‘amamentação depois da prótese’ nessa época, assisti vários vídeos e fazia alguns estímulos (massagens) para melhorar meus mamilos, que eram bem pequenos, o direito mais que o esquerdo. Mas nada demais, pois eles ficaram bem sensíveis e eu evitava o incômodo. Também li algo que dizia que a colocação das próteses com incisão periareolar (pela aréola) contribuía para a diminuição da produção do leite. Mas eu não me preocupei muito, pois meu cirurgião havia me garantido que eu não teria problemas e eu conheci lactantes que tinham prótese e amamentavam tranquilamente. Nunca fui de me preocupar antes da hora, e esse não era um bom momento para começar.

Engordei 12 quilos durante toda a gravidez, minha pequena crescia forte e saudável e eu ficava cada dia mais ansiosa, lendo tudo sobre bebês e perguntando tudo para minhas amigas que já eram mães, sempre com o foco na amamentação. Com 36 semanas comecei a ter umas contrações fortes, eu não aguentava ficar em pé, falava com meu médico que me orientava e medicava, e orava, pedindo a Deus que cuidasse de minha pequena Flor, que Ele a fortalecesse para uma possível chegada antecipada. Eu temia ela passar por alguma complicação e ter que ficar na UTI.

Num sábado à noite, 12/12/15, as contrações ficaram cada vez mais fortes, e ainda faltavam dois dias para completar a semana 37. Repousei todo o domingo, mas na segunda, ao fazer o toque, o médico confirmou que eu já estava em trabalho de parto e que a cirurgia, que eu havia feito para segurar minha filha, havia cedido um pouco, pois o peso havia forçado os pontos.

Terça-feira, 15/12/15 às 7h30, minha filha nasceu, num parto rápido e inesquecível. Ela nasceu com 50cm e 3,165kg, não precisou ficar na incubadora, mas ficou mais tempo no berçário em observação. Cheguei no quarto e depois de uns 10 minutos, meu marido entrou com ela… me emociono ao lembrar da sensação de ter meu sonho ali em meus braços!

Pois bem, tudo lindo, emocionante mas, peraí!! “E que horas devo amamentar?” “Como eu faço?” “Ela tá com fome?” “Será que eu já tenho colostro?” Um monte de questionamentos me vieram como uma onda forte, parecia que eu não tinha lido nada. Depois de algum tempo uma enfermeira me falou que eu deveria amamentar, pondo minha filha em meus braços, e eu amamentei! Ela sugava bem, e eu tentava lembrar de todas as dicas lidas, e assistidas, sobre a pega correta.

No dia seguinte fui ao lactário, pois eu achava que estava produzindo pouco colostro, mas a enfermeira me falou que eu estava produzindo bem e o suficiente para esses primeiros dias. Tive ainda o acompanhamento de uma consultora materno infantil, a Eliana Dias, que passou um tempo comigo na maternidade e me orientou divinamente. Foi tranquilizante ter o parecer dela, pois me deu segurança saber que estava indo bem e minha filha melhor ainda.

Voltamos para casa e, depois de uns dois dias, meu mamilo direito feriu. Minha filha pegava muito bem o seio esquerdo, mas o direito foi uma luta. Ela mamou, muitas vezes, com o mamilo sangrando, e comigo chorando. Mas depois de uma semana, isso passou. Fiz uso da pomada Lansinoh, um milagre em creme! (Super recomendo).

Depois de cinco dias em casa, tivemos que internar minha pequenina por conta da icterícia. Eu fiquei arrasada, mas seguimos juntos, eu, minha filha e meu esposo, e tudo deu certo. Depois de dois dias de internação voltamos para casa, mas ela perdeu peso e não conseguia recuperar. Mais uma vez Eliana Dias me salvou, me orientando e traçando comigo um plano alimentar para minha filhota, com horários pré determinados e com orientações específicas sobre o leite anterior e posterior, onde eu ordenhava o anterior, que é o leite com maior quantidade de água e menos gordura, fazendo o descarte deste, e minha filha mamava mais do posterior, que possui mais gordura e menos água. Fizemos esse planejamento, pois minha bebê cansava e parava de mamar antes de chegar no leite posterior, o que dificultava o ganho de peso. Mas o plano foi um sucesso! Depois dessa fase, não tivéssemos mais nenhum contratempo, minha filha mamou até os 6 meses, pois com a volta ao trabalho e com a introdução alimentar, ela deixou de mamar.

Hoje, 8 meses depois da primeira mamada, sinto muita falta desse momento que era só nosso, e que depois dos primeiros obstáculos foi só amor, cumplicidade e muito carinho. Eu e minha filhota dividimos muitos momentos especiais, o respirar tranquilo e as sugadas a seu ritmo, a palma de sua pequenina mão no meu peito. Mais próximo que isso só quando ela estava na minha barriga, mas durante a amamentação tivemos a troca de olhares e o amor se tornou ainda mais forte, palpável. Nós aproveitamos ao máximo esses momentos que eram tão nossos e eu me apaixonava diariamente! Eu me sinto uma felizarda de ter podido amamentar minha filha, pois não é tão fácil quanto parece, mas também não é impossível. Com a orientação adequada e muito apoio do meu marido (sim, isso foi FUNDAMENTAL para mim), eu consegui. Sei que nem todas conseguem, mas hoje temos disponíveis outras alternativas para que nossos bebês sigam crescendo saudáveis, o que no final das contas é o que mais importa, que sejam saudáveis e felizes.

Ninguém disse que seria fácil, mas ninguém jamais pôde dizer o quão incrível seria. Lembre-se sempre:

Você é exatamente a mãe que seu filho precisa.

Ah… e dá sim para amamentar com prótese, e depois continua tudo do jeitinho que tava antes! (Risos!)

PS:. Busque sempre informações sobre os procedimentos que deseja realizar, pesquise sobre os profissionais que escolher. Informação nunca é demais!

Gente, já é a segunda vez que leio antes de publicar e sempre quero chorar quando ela escreve detalhes desse momento mãe e filha. Também tive isso e QUERO CHORAR MESMO lembrando do olhinho da minha filha me encarando enquanto mama e segura meu dedinho (ou belisca o outro peito, que dói kkkk).

E aí meus amores, estão gostando? Que presente publicar essas histórias aqui.

Até a próxima.